Uma alimentação saudável e equilibrada na infância tem impacto direto e comprovado não apenas no tratamento do câncer infantil, mas também na prevenção de diferentes tipos da doença ao longo da vida. A Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) reforça a importância da nutrição adequada durante todas as fases do tratamento oncológico e destaca o papel da alimentação quando se trata de prevenir doenças crônicas, como o câncer, na vida adulta.
As evidências na área reforçam o que observamos na prática clínica diária: a alimentação na infância impacta diretamente a saúde do indivíduo durante toda sua vida. Quando falamos de crianças com câncer, o cuidado nutricional se torna ainda mais urgente, já que ele influencia a resposta ao tratamento e a qualidade de vida do paciente.
Da prevenção à recuperação
De acordo com o Comitê de Nutrição da SOBOPE, o suporte alimentar individualizado é essencial para o manejo de efeitos colaterais das terapias, manutenção do estado nutricional e adesão ao tratamento. A desnutrição ou a obesidade pode comprometer a eficácia das intervenções clínicas, aumentar toxicidades e prejudicar o prognóstico.
Um estudo brasileiro recente, que envolveu 723 crianças e adolescentes em tratamento oncológico, revelou alta prevalência de desnutrição no momento da internação, especialmente em regiões mais vulneráveis. Esse estado nutricional adverso foi associado a maior risco de óbito e reinternação, demonstrando o impacto direto da nutrição sobre os desfechos clínicos.
Quando se fala em nutrição no câncer infantil, não estamos apenas tratando somente do presente, mas cuidando da saúde futura dessa criança. É uma ação que vai além do prato; trata-se de prevenção, cuidado e qualidade de vida. A SOBOPE reforça que a atuação do nutricionista deve acompanhar o paciente em todas as fases:
Diagnóstico ? O estado nutricional, hábitos alimentares e o tratamento previsto são analisados logo no início. Uma consulta precoce garante melhor preparo da família e da criança para o que está por vir.
Tratamento ? Náuseas, perda de apetite e mudanças no paladar são comuns e exigem ajustes na dieta - como consistência e quantidade, prescrição de suplementos e, se necessário, uso de alimentação enteral. O plano deve sempre respeitar as individualidades do paciente.
Pós-tratamento ? A fase de recuperação requer reeducação alimentar. Aumentar o consumo de frutas e legumes e reduzir alimentos ultraprocessados são metas importantes. O suporte nutricional contribui para evitar recaídas e promover saúde de longo prazo.
Fonte
Juliana Nabarrete - Nutricionista e integrante do Comitê de Nutrição da SOBOPE