A enxaqueca, muitas vezes confundida com dor de cabeça, é uma doença neurológica crônica, hereditária e complexa, que afeta cerca de 30 milhões de brasileiros, segundo a Organização Mundial de Saúde. É marcada por episódios de dor de cabeça intensa, um dos principais sintomas da doença, que podem ser acompanhados de náuseas, distúrbios visuais, zumbidos, alterações de humor e até desequilíbrios gastrointestinais.
Embora não seja causada por alimentos, certos ingredientes podem funcionar como gatilhos poderosos, desencadeando, agravando e cronificando a condição.
A enxaqueca é uma doença de um cérebro hiperexcitável. Substâncias estimulantes presentes em alguns alimentos, como a cafeína, e compostos termogênicos como o gengibre e a canela, por exemplo, podem atuar como gatilhos e piora as dores das crises, especialmente em indivíduos com mais sensibilidade neurológica.
Alimentos que estimulam o cérebro:
A enxaqueca não é uma doença de causa alimentar, e sim neurológica. A alimentação pode funcionar como um fator de agravamento ou desencadeador de crises, e por isso não deve ser tratada como única solução.
Cortar alimentos é parte do processo, não a solução isolada. O tratamento da enxaqueca precisa ser integrado, com acompanhamento neurológico e intervenções medicamentosas e não medicamentosas. O apoio nutricional é estratégico para melhorar a resposta ao tratamento, oferecendo orientações personalizadas.
Por ser hereditária, a enxaqueca não tem cura, mas tem controle. O cuidado deve ser personalizado e multidisciplinar. Entre os profissionais envolvidos no manejo da doença e das crises que ela faz acontecer, o apoio do nutricionista é fundamental no processo, colaborando diretamente para a redução da frequência, intensidade e duração das crises.
Fonte
Dra. Thais Villa - Neurologista especialista no diagnóstico e tratamento da enxaqueca. Idealizadora do Headache Center Brasil, clínica multiprofissional pioneira e única no país no diagnóstico e tratamento integrado das dores de cabeça e da enxaqueca. Doutorado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Pós-Doutorado pela Universidade da Califórnia (UCLA) nos Estados Unidos. Professora de Neurologia e Chefe do Setor de Cefaleias na UNIFESP (2015 a 2022). Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia. Membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia. Membro do Conselho Consultivo do Comitê de Cefaleias na Infância e Adolescência da International Headache Society.