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Tradicionalmente associado ao prazer, o chocolate, especialmente o amargo, tem ganhado espaço também como potencial aliado da saúde cardiovascular. O alimento pode contribuir para a saúde do coração, desde que consumido com moderação e critério. O cacau é uma fonte importante de flavonoides, compostos bioativos com ação antioxidante e anti-inflamatória.

 

Os flavonóis presentes no cacau estimulam a produção de óxido nítrico, substância que promove a vasodilatação e ajuda a controlar a pressão arterial. Além de favorecer a circulação, os flavonoides contribuem para a proteção das artérias ao combater os radicais livres, responsáveis pelo estresse oxidativo, um dos processos associados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

 

Os benefícios, no entanto, estão diretamente ligados à composição do chocolate. Dessa forma, é recomendável escolher chocolates com teor de cacau acima de 70%. Produtos com muito açúcar, gordura saturada ou recheios acabam anulando os possíveis efeitos positivos à saúde. E ainda dar preferência a versões com baixo teor de açúcar, sem gorduras trans e, se possível, enriquecidas com ingredientes funcionais como castanhas e amêndoas, que também apresentam propriedades benéficas para o sistema cardiovascular.

 

Embora ainda não haja consenso científico absoluto, há indícios consistentes de que o consumo regular e moderado de chocolate amargo pode contribuir para a melhora da função endotelial (a camada interna dos vasos sanguíneos), além de auxiliar no controle do colesterol e da pressão arterial.

 

Os flavonóides também podem influenciar positivamente a sensibilidade à insulina e a resposta inflamatória do organismo. Mas isso só é válido dentro de um contexto de alimentação equilibrada e estilo de vida saudável, já que o consumo excessivo ou o uso do chocolate como ?atalho? para uma vida desregrada, compromete os resultados esperados.

 

Outro aspecto relevante é a interação entre o cacau e a microbiota intestinal ? o conjunto de bactérias benéficas que habitam o trato digestivo. Um microbioma saudável favorece a absorção dos flavonoides e pode potencializar seus efeitos sobre o sistema cardiovascular. O desequilíbrio na microbiota pode limitar a ação desses compostos bioativos, o que reforça a importância de uma alimentação rica em fibras e diversidade de nutrientes, para além do chocolate em si.

 

Cinco argumentos científicos para tirar o chocolate amargo da lista dos vilões:

  1. Contribui para a redução da pressão arterial;
  2. Melhora a função dos vasos sanguíneos;
  3. Combate inflamações e ajuda na defesa contra o desgaste celular;
  4. Auxilia no controle do colesterol, o que é importante para a saúde do coração;
  5. Tem leve ação anticoagulante, benéfica para a circulação.

 

A recomendação é manter a porção pequena, idealmente após as refeições, e integrá-la a um plano alimentar balanceado. No dia a dia, trocar a culpa por consciência pode ser um gesto de cuidado com o próprio corpo. Escolher bem o chocolate é um ato de prazer e de prevenção.

 

Fonte

Juliana Meirelles - Nutricionista do Centro de Cardiologia do Hospital Sírio-Libanês.

Dra. Patrícia Oliveira - Cardiologista do Centro de Cardiologia do Sírio-Libanês.