A constipação conhecida como prisão de ventre costuma ser associada ao envelhecimento, mas especialistas têm observado um aumento das queixas entre adultos jovens. Consultórios de gastroenterologia recebem cada vez mais pacientes na faixa dos 20 aos 40 anos relatando diminuição na frequência evacuatória, grande esforço para evacuar, sensação de evacuação incompleta, fezes muito endurecidas, desconforto abdominal e distensão abdominal frequentes.
Segundo a Fundação Internacional para Distúrbios Gastrointestinai, a constipação afeta cerca de 16% dos adultos em todo o mundo e está entre os distúrbios gastrointestinais mais comuns da atualidade. Para especialistas da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), embora fatores genéticos e condições médicas possam estar envolvidos, as mudanças no estilo de vida têm desempenhado papel importante nesse cenário.
A constipação é uma condição multifatorial, mas observamos que hábitos cada vez mais comuns na rotina moderna têm contribuído para o surgimento ou agravamento do problema. Alimentação inadequada, baixa ingestão de água, sedentarismo e níveis elevados de estresse estão entre os fatores mais frequentemente associados
O intestino depende de uma combinação de fatores para funcionar adequadamente. Entre eles estão a ingestão regular de fibras, a hidratação adequada e a prática de atividade física.
No entanto, a rotina corrida tem levado muitas pessoas a substituírem refeições equilibradas por alimentos ultraprocessados, geralmente pobres em fibras e ricos em gordura, açúcar e sódio.
O consumo insuficiente de frutas, verduras, legumes e cereais integrais reduz o volume das fezes e dificulta o trânsito intestinal. Quando isso se soma à baixa ingestão de líquidos, o resultado pode ser o intestino funcionando de forma mais lenta.
Além da alimentação, o excesso de tempo sentado também pode influenciar o funcionamento intestinal. Estudos mostram que a prática regular de atividade física ajuda a estimular os movimentos naturais do intestino, favorecendo a evacuação.
Outro fator cada vez mais presente entre os pacientes é a influência do estresse e da ansiedade sobre a saúde digestiva. A comunicação entre cérebro e intestino, conhecida como eixo cérebro-intestino, ajuda a explicar por que alterações emocionais podem impactar diretamente o funcionamento gastrointestinal.
O intestino possui uma interação estreita com o sistema nervoso. Em algumas pessoas, períodos de estresse e ansiedade podem alterar o ritmo intestinal, favorecendo tanto episódios de diarreia quanto de constipação.
Embora episódios ocasionais de constipação sejam comuns, especialistas recomendam atenção quando o problema se torna frequente, persiste por semanas ou vem acompanhado de sintomas como dor abdominal intensa, sangue nas fezes, perda de peso involuntária ou mudanças importantes no hábito intestinal.
A constipação não deve ser encarada apenas como um desconforto. Quando persistente, ela merece investigação médica para identificar possíveis causas e evitar impactos na qualidade de vida.
Fonte
Dr. Marcellus Ponte Souza ? Médico Gastroenterologista. Especialista da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).