O kiwi, que já vinha chamando atenção nas redes sociais por benefícios no sono, no controle do peso e na saúde intestinal, agora também passa a ser uma recomendação formal para o manejo da prisão de ventre. A nova diretriz da British Dietetic Association incluiu a fruta ao lado do psyllium como uma estratégia nutricional com evidência científica para o tratamento da constipação crônica. Com essa nova diretriz, especialistas reforçam que o consumo da fruta deve ser feito moderadamente e em paralelo a uma hidratação adequada.
Na prática clínica, o psyllium já é amplamente utilizado como uma das principais estratégias para aliviar a constipação, especialmente por sua capacidade de absorver água e formar um gel que facilita a eliminação das fezes. Com a inclusão do kiwi na diretriz, abre-se espaço para uma alternativa alimentar que pode ser inserida diretamente na rotina, ampliando as opções para quem busca melhorar o funcionamento intestinal sem depender exclusivamente de suplementação.
A inclusão reforça o papel da alimentação como ferramenta terapêutica. O kiwi é uma fruta com perfil interessante de fibras solúveis e insolúveis, além de compostos bioativos que estimulam o trânsito intestinal. Ele atua tanto na formação do bolo fecal quanto na modulação da microbiota.
Por que o kiwi e o psyllium podem ajudar o intestino?
A constipação crônica é caracterizada por evacuações pouco frequentes, esforço excessivo ou fezes endurecidas, impactando diretamente a qualidade de vida. Estratégias alimentares são consideradas primeira linha no manejo do quadro. O psyllium segue como uma opção segura e bem estabelecida. O psyllium forma um gel no intestino ao entrar em contato com a água, aumentando o volume e a maciez das fezes. É uma fibra funcional com excelente respaldo científico. O kiwi, por sua vez, apresenta efeito complementar. Além das fibras, ele contém enzimas e compostos que parecem estimular a motilidade intestinal de forma natural. Em alguns pacientes, pode ser uma alternativa prática e bem tolerada. A fruta combina fibras solúveis e insolúveis, que ajudam a melhorar a consistência das fezes e a regular o trânsito intestinal, além de conter actinidina, enzima associada à melhora da digestão e à redução do desconforto abdominal.
Nem todos, porém, conseguem incluir a fruta na rotina. O kiwi possui actinidina, uma enzima proteolítica que pode gerar uma reação de hipersensibilidade em pessoas predispostas, inflamar o organismo e, em alguns casos, provocar desconforto gastrointestinal que pode até piorar o funcionamento intestinal. É raro, mas pode acontecer especialmente em indivíduos com alergia a látex ou sensibilidade a determinadas proteínas vegetais.
Alimentação personalizada
Para o especialista, a individualização continua sendo o ponto central da conduta. Nem todo alimento funciona da mesma forma para todas as pessoas. A escolha entre kiwi, psyllium ou outras fibras deve considerar tolerância, rotina alimentar e histórico clínico. E é neste momento que a avaliação de um profissional se torna essencial.
Como incluir fibras na rotina alimentar de forma segura?
A introdução de fibras na alimentação deve ser feita com planejamento, especialmente em casos de constipação crônica. As fibras embora sejam fundamentais para o bom funcionamento intestinal mudanças abruptas podem gerar desconforto. Fibra é essencial, mas precisa ser inserida com estratégia. O excesso repentino, sem ajuste de líquidos, pode causar mais sintomas do que benefícios.
Segundo o médico, algumas orientações são fundamentais para quem deseja melhorar o funcionamento intestinal:
??Aumentar a ingestão de fibras de forma gradual: introduzir grandes quantidades de uma vez pode causar gases e distensão abdominal.
??Garantir hidratação adequada: fibras dependem de água para exercer seu efeito corretamente e, quando em excesso e sem hidratação correta, elas podem piorar a constipação.
??Manter regularidade alimentar: evite pular refeições; horários consistentes ajudam a modular o reflexo intestinal.
??Associar movimento à rotina: atividade física estimula naturalmente o trânsito intestinal, prevenindo futuros desconfortos.
O mais importante é entender que o intestino responde à constância. Ajustes simples, feitos de forma estratégica e personalizada, costumam trazer resultados mais sustentáveis do que soluções imediatistas.
Fonte
Dr. Danilo Nunes Almeida - Médico pós-graduado em Nutrologia pela ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia) e pós-graduando em Metabolômica pela Academia Brasileira de Medicina Funcional Integrativa. Atua com foco em emagrecimento, saúde hormonal, saúde intestinal e medicina de precisão. Fundador da Clínica Versio, localizada em Vitória (ES).